Orientação política do PCLCP para o segundo turno em RS

Nota política do Polo Comunista Luiz Carlos Prestes no Rio Grande do Sul

O segundo turno das eleições a governo do estado apresenta dois candidatos: José Ivo Sartori (PMDB) e Tarso Genro (PT). Embora não tenhamos, nessa disputa eleitoral, uma alternativa que represente os interesses da classe trabalhadora, seu resultado determinará o terreno das lutas a serem desenvolvidas nos próximos anos.

De um lado, temos Sartori, que expressa uma face conservadora e privatista. Este candidato vem cumprindo um papel “neutro” diante da mídia, sem demarcar posições e apresentar propostas.  Entretanto, entre a falsa neutralidade e a verdadeira posição política que representa, vemos em suas propagandas de televisão e em sua coligação partidária a defesa de questões de cunho extremamente retrógrado, como a privatização de presídios e a redução da maioridade penal. Sartori também tenta esconder que fez parte da mesma base política do ex-governador Antônio Britto. Naquele governo, tivemos a ofensiva das privatizações de empresas públicas, como a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) e a Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT). Também se aumentou a dívida do Estado, sem investimentos em setores públicos. Importante lembrar o acordo com a Ford (realizado com as facilidades e apoio do governo FHC), que acabou atuando em outro Estado, levando dinheiro público do RS. Sartori esteve presente também no governo do Rigotto. Tal candidato, na época, adotou uma estratégia semelhante: mostrava um discurso vazio, negando o passado da gestão de Antônio Britto. Ao longo do governo Rigotto, ficou nítida a saia justa: ao receber a cobrança dos empresários, passava a agir em prol dos mesmos. Como se não bastasse tais fatos, desmascara-se de uma vez a face de direita que o marketing eleitoral de Sartori esconde: o PMDB esteve ao lado do governo de Yeda Crusius. Ou seja, muda-se o candidato, mas a lógica é a mesma e se governará para os mesmos.

Do outro lado, Tarso Genro, que materializa um projeto político orientado para a redução de direitos ao trabalhadore concessões aos interesses da burguesia. Porém, do ponto de vista dos benefícios à população, historicamente tivemos menos retrocessos com o PT do que com o PMDB. Tais benefícios não são implementados sem contradições: Na saúde, por exemplo, Tarso gosta de ressaltar que é o único estado a repassar 12% para a saúde, ao invés de aumentar para 15%. Além disso, consolida um modelo de saúde que oferece acesso público, porém através de setores privados filantrópicos. Na agricultura, Tarso governa para o agronegócio, embora tente amenizar seus impactos na agricultura familiar com distribuição de alguns benefícios. Outro exemplo de contradição: realizou diversas isenções fiscais, porém ainda não cumpriu o piso nacional para os professores. Ou seja, garante a fatia do bolo para o setor privado ao invés de garantir salários justos e ampliar os direitos da classe.

Sabemos que Tarso (assim como fizeram outros governos do PT) insistirá na tentativa de conciliar interesses de classes antagônicas (algo impossível para conquistarmos uma sociedade mais justa), para minimizar os problemas sociais que se originam nos acordos e concessões realizadas aos setores burgueses. Porém, temos certeza de que será mais preciso e eficaz os ataques do PMDB aos direitos sociais e a classe trabalhadora. Por este motivo, diante das possibilidades reais para este segundo turno, manifestamos nosso apoio crítico à candidatura de Tarso Genro.

Nosso apoio crítico ao Tarso Genro não vem pela defesa do modelo de política econômica que este vem mantendo em nosso Estado. Seguimos acreditando que a via eleitoral não será a forma de conquistar a transformação social pelo qual lutamos. É justamente pensando em que terreno se desenvolverá as lutas da classe trabalhadora que necessitamos de uma posição. Frente às vitórias que a extrema direita obteve nestas eleições, Tarso Genro representa uma via mais democrática e um ataque menos ofensivo a classe trabalhadora em relação ao PMDB.