34 anos de la vanguardia de un pueblo que lucha – viva el FMLN (Frente Farabundo Marti para la Liberacion Nacional) – Viva El Salvador

Por Mauricio Tomasoni[1]

Queria escrever mais linhas, mas o tempo não me permite, mas vamos lá. Muitas coisas mais poderiam ser ditas, mas resumo numa: Viva el FMLN!

Em um 10 de outubro, como no dia de hoje, 34 anos atrás, no ano de 1980, nascia uma das organizações político-militares da maior envergadura política, ideológica e militar que a história conheceu. Nascia a FMLN, fusão de 5 organizações político-militares que empreendiam tanto o trabalho no movimento de massas (sindical e estudantil), quanto a luta guerrilheira na cidade e no campo. As organizações que criaram a FMLN são o PCS (Partido Comunista Salvadorenho) e seu braço militar as FAL (Forças Armadas de Libertação), as FPL (Forças Populares de Libertação – Farabundo Marti), o PRTC (Partido Revolucionário dos Trabalhadores Centro Americanos, a RN (Resistência Nacional) e o ERP (Exército Revolucionário do Povo). Organizações com ideologias que passam pelo maoísmo, trotskismo mandelista e tradicional movimento comunista internacional.

 

A FMLN, quando nasce, é fruto de uma luta quase centenária, empreendida por Augustin Farabundo Marti, que em 1925 foi um dos fundadores do Partido Comunista Centro Americano e depois do PCS (Partido Comunista Salvadorenho). Farabundo lutou junto com Augusto César Sandino pela libertação nicaragüense. É fruto, também, da insurreição popular de 1932 comandada pelo PCS, movimento este massacrado pela oligarquia salvadorenha que assassinou mais de 30 mil pessoas, numa população de 2 milhões de habitantes. Entre elas 8 membros do Comitê Central do PCS – o único sobrevivente foi Miguel Mármol.

Ao largo de mais de 10 anos de luta guerrilheira e com o fim da União Soviética e a derrota eleitoral da FSLN (Frente Sandinista pela Libertação Nacional) na Nicarágua, celebram-se os acordos de paz de Chapultepec em 1992. Acordo que resultou na legalização da FMLN que passou a ser um partido legal e que começou a disputar as eleições nacionais. Dezessete anos após, em 2009, acontece a heróica vitória eleitoral e a subseqüente reeleição em 2014. Esta última com uma diferença de apenas 8.000 votos.

O atual presidente salvadorenho, Salvador Sanchez Ceren era secretário geral das FPL e membro da comandância geral da FMLN nos tempos da guerrilha. A relação entre o PCS de Schafick Handal e as FPL eram bastante próximas, de estreita colaboração.

O movimento guerrilheiro salvadorenho teve um enorme aporte internacionalista – revolucionários de todas as partes colaboraram com a FMLN, muitos à custa da própria vida. Entre eles brasileiros, argentinos, nicaragüenses, espanhóis, dominicanos, etc. Há um monumento em San Salvador que homenageia os combatentes internacionalistas tombados em combate.

El Salvador viveu uma encarniçada guerra, na qual o exército salvadorenho foi apoiado e assessorado pelos Estados Unidos, inclusive com assessores militares trabalhando abertamente em seu território. A FMLN derrotou este exército em inúmeras ocasiões. A política dos oligarcas era o massacre da população civil, para intimidar as bases de apoio da FMLN. O exército salvadorenho nutria-se através do recrutamento forçado.

Aproveito para tecer algumas considerações acerca dos equívocos em análises e pontos-de-vista que vem sendo feitos em relação à FMLN e à luta salvadorenha:

01.Há questionamentos com relação à FMLN não ser a vanguarda do povo salvadorenho. Qual seria a vanguarda? Talvez a ARENA (Alianza Republicana Nacionalista) que entoa nas estrofes do seu hino “Patria Si, Comunismo no!”. Quem sabe seria o PCN (Partido da Conciliação Nacional) ou PDC Partido Democrata Cristão ou alguma outra minúscula organização ou alguma dissidência da FMLN. Registre-se a maior dissidência da FMLN ocorreu logo após sua fundação, que criou o extinto PD (Partido Democrático). É da natureza da política ocorrerem dissidências em partidos ou organizações fruto de divergências ideológicas, estratégicas ou táticas. A FMLN é continuidade das lutas que desde os anos 30 trava o povo salvadorenho, inicialmente com o PCS. A FMLN é sim a vanguarda do povo salvadorenho. Quem disser o contrário, de forma honesta, está cometendo um equívoco, um erro, está deixando de lado a história quase secular de luta recente do povo salvadorenho. Quem conhece a história da luta salvadorenha e faz eco com os “Resistir.Info” da vida, questionando o caráter revolucionário da FMLN é um intelectual desonesto. Seria interessante que se pesquise quais foram as atitudes da FMLN para com o golpe em Honduras, a questão palestina, a contra-revolução na Líbia, etc.

02.Alguns, bem poucos, questionam o caráter revolucionário da FMLN. Creio que estes devem estar “certos”, pois o nível privilegiado de relações políticas da FMLN se dá com organizações como o antigo Partido Comunista Dominicano, as FARC, a FSLN, o governo boliviano, o governo nicaragüense, o governo venezuelano, o Partido Comunista Cubano, o governo cubano, etc. Com o advento da FMLN ao governo, El Salvador passou a ser membro da ALBA (Aliança Bolivariana das Américas).

03.Há que se compreender que os processos revolucionários tem suas peculiaridades e distinções com relação às condições concretas de cada país (geografia, recursos naturais, formação econômico-social, etc.). Nenhum processo revolucionário deve ser emoldurado numa fórmula: primeiro vai ser isso, depois aquilo. Não se pode sucumbir ao esquematismo enferrujado. Não se vive em El Salvador nos dias de hoje um processo insurrecional como nos anos das décadas de 70 e 80 do século passado. Não se pode comparar o processo salvadorenho com o venezuelano, por exemplo. El Salvador tem 20.000 quilômetros, escassos recursos naturais. Sempre foi uma economia dependente, pois esta era a política do império norte-americano. Comparando com o estado de Santa Catarina – El Salvador é 1/5 do território catarinense.

04.Num texto, cheguei a ver a citação de que há um “aburguesamento” de dirigentes da FMLN. Por certo que deve ter havido um “aburguesamento” do presidente Salvador Sanchez Ceren e demais dirigentes, pois antes, durante o tempo da guerrilha, os mesmos dormiam em barracas ao relento e hoje dormem em casas. Antes comiam só “tortilla”, Hoje comem arroz e carne.

05. Dos absurdos maiores que vi foi uma afirmação que dizia que a guerrilha salvadorenha havia sido derrotada. Como afirmei em determinado momento, tem que avisar eles que eles foram derrotados, pois até hoje a FMLN não sabe que foi derrotada. A conquista dos acordos de Chapultepec não foi uma derrota, foi uma vitória estratégica. O conteúdo dos acordos de paz incorporou a FMLN à vida política legal após quase 70 anos de ditaduras militares ou militares com disfarce civil.

06.A FMLN continua a propagar o ideário de luta pelo socialismo. Continua com firmeza revolucionária e pratica o internacionalismo proletário. No discurso em comemoração aos 30 anos de fundação da FMLN, o atual presidente Salvador Sanchez Ceren disse: “continuamos a lutar pelo socialismo e pelas nossas bandeiras históricas, talvez consigamos, enquanto governo, fazer algumas coisas, mas creio que não todas, mas não largamos de lado nosso ideário e nossas bandeiras”.

07.Tivemos, nos anos 80 e 90 relações privilegiadas com a FMLN. Acompanhamos seu desenvolvimento, prestamos solidariedade através de nossas entidades. Praticamos o internacionalismo proletário da forma mais profunda. Confiamos e seguiremos confiando na FMLN, pois mesmo com todos os percalços advindos da queda da União Soviética e da débâcle do campo socialista no leste europeu, a FMLN seguiu e segue empunhando a bandeira do socialismo. Confiamos nos amigos de trincheira. Confiança é também uma categoria política que se adquire ao largo de décadas de convivência.

08.Não devemos confiar em fontes de informação que mais atuam como “juízes” da luta de classes, que querem ensinar o “pai nosso ao vigário”. Fontes que de fora, de longe te dão e te querem “ensinar” o caminho. Respeitemos, pois o povo salvadorenho e sua vanguarda que impuseram aos norte-americanos a derrota de seu projeto intervencionista. Os mesmos norte-americanos que na maldita Escola das Américas formaram oficiais do calibre de Roberto D´Abuisson, coronel de triste história, que participou da Operação Condor aqui no Cone Sul, que foi responsável inúmeros massacres da população civil, do assassinato do monsenhor Oscar Romero e dos jesuítas da UCA. Derrotou os norte-americanos que criaram e treinaram o batalhão Atlacatl – uma elite do exército salvadorenho especializada em massacres.

 

VIVA A FMLN!

VIVA FARABUNDO MARTI!

VIVA FELICIANO AMA!

VIVA SALVADOR SANCHEZ CEREN!

VIVA SCHAFICK JORGE HANDAL!

VIVA O INTERNACIONALISMO PROLETÁRIO!

 

Hino da FMLN:

 

Comandante se queda:



[1] Mauricio Tomasoni é membro da Direção Estadual do Polo Comunista Luiz Carlos Prestes em Santa Catarina e participa da Associação Cultural José Martí.

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