(Paraguai) Liberdade aos presos por lutar!

Em 4 de abril de 2007, o professor Carlos Fuentealba é fuzilado por um policial da provincia de Neuquén/Paraguai por estar lutando por reivindicações específicas do sindicato docente. Em meio a comoção que percorreu o país, um grupo de militantes de Quebracho fazem um "escracho" num local em Buenos Aires, pertencente ao partido do então governador Jorge Sobisch, autor intelectual do assassinato. O protesto não passou de alguns vidros quebrados e gritos denunciando a barbárie policial. Juízes já conhecidos por encobrir ações repressivas criminalizam o protesto e condenam a Lezcano (afetado por uma grave enferminado e com 70 anos de luta) e a Esteche (que nem participou do escracho) a quase quatro anos de prisão.

Veja abaixo a Nota do Partido Comunista Paraguaio (PCP) sobre o tema.

 

 

Nota do Partido Comunista Paraguaio 

No dia 15 de junho de 2010, juízes vinculados a crimes de genocídio durante a ditadura militar argentina sentenciam contra Fernando Esteche e Raúl Lescano a três anos e oito meses e três anos e seis meses respectivamente por repudiar um escracho ao assassinato do professor Carlos Fuentealba durante uma mobilização reprimida por ordem do entaõ governador de Neuquém, Jorge Sobich.

Esteche e Lescano foram submetidos à detenção arbitrária, incomunicabilidade e um processo judicial que não se julgou nenhum fato concreto, somente a militância política de ambos dirigentes. Na Argentina, como no Paraguai, existem juízes e fiscais, que sob a proteção e amparo de setores econômicos mafiosos, violam sistematicamente todas as garantias processuais, o direito à defesa, o devido processo, a suposição de inocência,  com o objetivo de perseguir, imputar e condenar militantes e, desta maneira conseguir, a desmobilização e isolamento de organizações populares.

As oligarquias regionais não hesitaram una hora de violentar a ordem jurídica que eles mesmos fundaram quando se tratava de defender seus interesses econômicos e de classe. É assim que, nos últimos anos, temos vivido na região golpes de Estado “constitucionais”, insurreições fascistas na Venezuela, massacres em comunidades rurais da Colômbia e Paraguai, detenções, extradições e condenações ilegais, fumigações de agrotóxicos sobre comunidades camponesas e indígenas, com proteção policial e militar, assassinatos seletivos de militantes sociais, tráfico de armas, drogas, evasão impositivas, contrabando e uma longa lista de violações aos marcos jurídicos nacionais e internacionais, protegidos sob um manto de impunidade. Não obstante, os sistemas de “Justiça” ao serviço destes mesmo setores se voltam implacáveis no momento de levar aos Tribunais – violando toda a legalidade e o Estado de Direito – a companheiros e companheiras decididos a reverter a situação de opressão que vive nossa Pátria Grande.

É por isso, que para o Partido Comunista Paraguaio e sua Juventude, a solidariedade e o trabalho internacionalista articulado pela liberação de nossos os nossos presos e presas por lutar é uma tarefa prioritária. Pela liberação dos antiterroristas cubanos presos nos EUA, de Oscar López em Porto Rico, dos presos de Quebracho e petroleiros de Las Heras na Argentina, por Huber Ballesteros e outros 9.000 presos políticos na  Colômbia.

No Paraguai formamos parte da luta pela liberdade dos presos e presas políticas de Curuguaty que tem sido com pela Procuradoria em vítimas de um massacre orquestrado pelos EUA e oligarquia paraguaia para efetuar um golpe de estado no dia 22 de junho de 2012.

Também formamos parte da luta pela liberdade dos seis dirigentes camponeses condenados por lutar por uma nova Pátria, sendo acusados de uma inexistente participação no sequestro da filha do ex-Presidente. Estes companheiros, extraditados pela Justiça argentica no momento da gestão do refúgio, são, para nós, a expressão maior de dignidade de luta do heroico campesinato paraguaio.

Nesta ocasião, declaramos nossa solidariedade e compromisso de luta com os companheiros de Quebracho, exigindo ao governo argentino o indulto imediato dos mesmo e o julgamento e castigo aos responsáveis do assassinato do professor Carlos Fuentealba.

Aproveitamos a ocasião para reconhecer e agradecer a todas as organizações e militantes que desde a não irmã, Argentina, tem lutado – e seguem lutando – pela liberdade dos presos de CUruguaty e dos seis camponeses extraditados. Reiteramos um chamado a articulação internacionalista pela liberdade dos presos por lutar.

 Anistia imediata a Esteche e Lescano!

Julgamento e castigo aos assassinos de Fuentealba!

Liberdade a todos os presos por lutar!

  

Comissão Política

Partido Comunista Paraguaio

07 de Abril de 2014

 

Tradução: Polo Comunista Luiz Carlos Prestes (PCLCP)