Apontamentos acerca das tarefas da Juventude Comunista

“O Comunismo é a Juventude do Mundo”

A Direção Nacional da Juventude Comunista Avançando (JCA), reunida no início deste ano, apresenta algumas de suas avaliações acerca da conjuntura internacional e nacional tendo como intuito colaborar com o desenvolvimento da luta dos trabalhadores e do povo brasileiro para enfrentar os desafios que temos pela frente. 

A humanidade se encontra hoje numa encruzilhada. O sistema do capital por conta de sua própria lógica de acumulação e concentração de riqueza apresenta um quadro de crise estrutural, onde a proposta do capital é recuperar-se sobre as costas da classe trabalhadora. Isso significa que, do ponto de vista do capital, a saída para a crise é a crescente retirada de direitos, a maior exploração do trabalho, o desemprego estrutural. Já do ponto de vista dos comunistas é completamente distinto e radical. Devemos colocar abaixo o modo de produção vigente, superá-lo!

A crise se desenvolve de forma global e já vemos exemplos de suas consequências. A taxa de desemprego na Europa atingiu 10,9% no fim de 2013. Já as taxas de desemprego de alguns países da região estão ainda mais altas, como Portugal que fechou o ano de 2013 em 17,4%. Neste princípio de 2014, a Espanha atingiu 26% com o total de 4,8 milhões de pessoas desempregadas, a Grécia é o país com a mais alta taxa de desemprego, 28% de pessoas estão desempregadas e a taxa entre a juventude de 15 a 24 anos é ainda maior, 60%, e entre os jovens empregados 50% trabalha em condições de precariedade, segundo a OIT.

Além disso, cresce a irracionalidade do imperialismo. As perspectivas para o Oriente Médio são preocupantes, após ofensiva imperialista contra a Síria no ano de 2013, o império e seus aliados na região planejam uma ofensiva ao Irã com objetivo de ter cada vez maior influência na região. A intervenção para inflar conflitos internos e abrir espaço à extrema direita, valendo-se até de mercenários é uma fórmula que se repete agora na Ucrânia, com o incremento do movimento fascista que tem perseguido e assassinado diversos lutadores do povo. No entanto, essa ofensiva fascista não age impunemente, diversos movimentos de esquerda juntamente com a população tem se erguido contra os levantes de extrema direita e tem apresentado resistência. Também a América Latina tem sido alvo do imperialismo operando permanentemente articulado às classes dominantes locais. A Venezuela e a Colômbia têm sido palco dos conflitos encabeçados pelos EUA: no caso da Venezuela, pela burguesia local de caráter fascista e golpista contra o governo de Nicolás Maduro; e no caso da Colômbia, através do governo Juán Manuel Santos ocorrem perseguições, prisões e assassinatos de lutadores do povo.

No Brasil, os reflexos da crise e ofensiva do capital também são visíveis. Os impactos da crise em nosso país devem caminhar para piores momentos nos próximos anos, já que as formas de lidar com a crise foram as tradicionais e já mostram sinais de esgotamento. O crescimento da economia esperado para 2014 é de 1,79%, o setor industrial vem deixando de ser o mais ativo posto que vem sendo ocupado pela produção voltada à exportação de commodities. A retirada de direitos, como parte da tentativa do capital de recuperação, amplia-se. Alguns dos exemplos são: a nova contrarreforma da previdência e trabalhista que, entre outras coisas, visam piorar as condições de aposentadoria aumentando o tempo de trabalho e a idade. Outras leis pretendem limitar o direito de greve dos servidores públicos e ampliar a terceirização do trabalho para as atividades-fim das empresas públicas e privadas. O campo da saúde têm sido um dos mais atingidos através da privatização desse direito social fundamental, as medidas vão desde as Organizações Sociais – OSs até a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – EBSERH. Além disso, diversas formas de precarização e privatização atingem o campo da saúde, educação e segurança, com o enfraquecimento dos serviços públicos, além da crescente privatização de setores estratégicos da economia, como os recentes leilões de poços de petróleo, o último do campo de Libra. Em resumo, a estratégia econômica do governo aprofunda a situação de dependência do Brasil e aumenta as contradições a médio e longo prazo. Nas grandes cidades, crescem as operações especulativas do capital financeiro sobre terras urbanas, o que têm levado à criminalização e expulsão do povo pobre, com incremento no aparato policial repressivo.

O ano de 2014 também será marcado pelas eleições presidenciais onde o cenário não é animador. As pesquisas recentes apontam larga vantagem para Dilma e os candidatos oposicionistas que se destacam nas mesmas pesquisas (Aécio Neves do PSDB e Eduardo Campos do PSB), representam o tradicionalismo da extrema direita, ou seja, a burguesia tem grandes condições de vencer as eleições sem prejuízos programáticos. O espaço para a participação da classe trabalhadora e dos explorados em geral é muito reduzido nas eleições, as organizações de esquerda e os partidos com registro eleitoral ainda têm pouco vínculo com a classe trabalhadora em nosso país, que é muito numerosa. É preciso avançar no debate estratégico e na unidade programática. Entendemos as eleições burguesas como momento de denunciar as mazelas do capitalismo e de apresentar as saídas que o povo deve construir na luta, por isso acreditamos que candidaturas populares podem contribuir para elevar o nível de consciência dos trabalhadores e do povo, se forem expressão do acúmulo no movimento de massa, se forem resultado da construção de amplos setores da classe trabalhadora e seus aliados, desde o surgimento e campanha até a intervenção no parlamento.

A possibilidade de construir um programa e uma campanha que possa estimular as massas para a luta pela transformação social é o que deve orientar a esquerda nesse processo, por isso, defendemos uma candidatura unitária na esquerda, principalmente entre as candidaturas do PSOL e PCB. No entanto, entendemos que é fundamental que haja dialogo da esquerda como um todo, entre partidos, organizações e movimentos com ou sem registro eleitoral. O mais fundamental em nossa compreensão é que se avance no debate político programático de unidade. Através de um debate profundo acerca da realidade brasileira, construindo as mediações para a luta prática das classes trabalhadoras e do povo.

O ano de 2013 foi marcado por muitos protestos, onde os jovens brasileiros expressaram de modo crescente sua capacidade de luta. No entanto, trata-se ainda de uma rebeldia espontânea e desorganizada. As Jornadas de Junho, em que milhões de brasileiros foram às ruas, demonstraram o potencial e os limites da revolta popular. As pautas mais importantes eram um conjunto de aspirações democráticas difusas e sem rumo certo, gestadas e alimentadas por anos de políticas antipopulares, implantadas pela sequência de governos liderados pelo PSDB e PT. O povo luta por aspirações concretas, geralmente sem perceber suas relações com o capitalismo, por isso é necessário um programa que vincule essas reivindicações a uma luta mais consequente e à construção de um instrumento que possa organizar essas lutas, a partir das quais o povo avança dos elementos mínimos aos máximos, de questões mais pontuais e imediatas às questões de fundo, a um projeto de sociedade. O socialismo deve ganhar concretude junto às massas, essa é uma tarefa dos revolucionários, à qual os comunistas devem dedicar todo seu esforço. No entanto, não são apenas os comunistas que participam deste processo. A unidade promovida nesse processo, unidade entre as classes trabalhadoras e os demais setores populares oprimidos pelo capitalismo, especialmente seus pilares mais concretos e desenvolvidos – o imperialismo, o monopólio e o latifúndio – é o que podemos chamar de Bloco Histórico.

 

As tarefas fundamentais

Compreendemos que a direção do trabalho dos revolucionários deve ser pela construção do Bloco Histórico. Iniciativas importantes estão sendo construídas pelo PCLCP, como a Central das Classes Trabalhadoras, fundamental para organizar o proletariado (setor mais consequente dentro desse bloco) e o Movimento Pró-Frente de Esquerda, pensado para ser, no primeiro momento, um espaço de debate e construção programática entre os revolucionários. Sem esses elementos mediadores está posto um distanciamento (quase um abismo) entre a luta de massas cotidiana, de Centro Acadêmico, grêmio, sindicato, com a luta pela derrubada do capitalismo. Também a margem de unidade entre os lutadores e organizações de luta sem essa perspectiva acaba ocorrendo só em torno de táticas, com limites que conhecemos. Entre a rebeldia e a revolução teremos um longo caminho a percorrer e a tarefa da nossa geração é fazer com que as lutas, que sempre surgirão enquanto o povo for explorado, produzam acúmulos concretos na consolidação do sujeito revolucionário.

O trabalho que temos pela frente é árduo, mas o terreno é fértil. Os jovens sofrem com a violência e a precarização da vida, mas também carregam consigo o futuro e a responsabilidade na construção da nova sociedade. Desde a JCA devemos aplicar todo nosso empenho para fortalecer a luta dos jovens e da classe trabalhadora nas distintas frentes de massa que existem e que surgirão. No Movimento Estudantil Universitário reforça-se a análise sobre a necessidade de um movimento amplo em torno da luta pela Universidade Popular, que sirva para disputar os rumos do movimento universitário desde a base. Em 2014, uma de nossas prioridades é a construção do II Seminário Nacional de Universidade Popular - SENUP, como espaço suprapartidário que possa agregar os setores e entidades do movimento universitário e popular interessados em debater e aprofundar um projeto de disputa da universidade brasileira. Trata-se do espaço unitário para a construção dessa luta, que é conseqüência do desenvolvimento do Grupo de Trabalho Nacional de Universidade Popular (GTNUP), criado após o 1° Seminário, que agora deve ser consolidado e massificado. Com o entendimento de que a luta pela Universidade é parte constitutiva da construção do Bloco Histórico, envolveremos nossas distintas frentes de massa no Seminário.

Entender a importância do ME universitário também significa reconhecer que a grande massa dos jovens está fora das universidades e que a esquerda como um todo tem pouco trabalho junto a esse setor mais numeroso e oprimido da juventude. Desse modo, é muito importante fortalecer a luta do Movimento Estudantil Secundarista, a luta por educação de qualidade, por democracia e liberdade de organização nas escolas, pelo desenvolvimento de um projeto de educação popular da educação básica ao ensino técnico. Um dos espaços nacionais que participaremos da construção é o Encontro Nacional dos Estudantes das Escolas Técnicas(http://fenetbrasil.blogspot.com.br/2014/02/fenet-convoca-todos-e-todas-ao-iii.html), que ocorrerá entre 18 e 21 de Abril de 2014.

Outra frente de luta fundamental é o mundo do trabalho. Os Jovens Trabalhadores estão nos setores mais precarizados e com os salários mais baixos. O primeiro emprego é apresentado como um favor dos patrões pela iniciação na exploração capitalista e o jovem é tido como “mão de obra” complementar, da mesma forma seu salário é tido como fonte de renda complementar da família. Essa frente de luta traz grandes desafios, porque os sindicatos das categorias são controlados pelos patrões e pela máfia sindical. Contribuímos também com a inserção no movimento popular, que inclui uma gama bastante ampla de espaços de atuação, como os movimentos de luta pelo transporte, por moradia e reforma urbana, luta pela saúde, movimento hip-hop, etc.

A JCA deve estar preparada para dar respostas a esses elementos, buscando aprimorar seus métodos de inserção, aprimorar sua análise da realidade e sua organização. Para que assim, os milhões de jovens que sentem hoje alguma necessidade de se organizar, saibam que nossa organização está empenhada em se constituir como alternativa política, ideológica, organizativa. O ano de 2014, que vem na sequência dos acontecimentos do último mês de Junho, trará desdobramentos daquele momento. Já ocorrem muitos protestos e indignação pelos gastos exorbitantes e a violência policial em torno da Copa. Estamos num momento propício para aprofundarmos nossa concepção e darmos passos concretos na luta pela formação do Bloco Histórico proletário e popular, anti-imperialista, antimonopolista e antilatifundiário. Essa é uma tarefa prioritária para esse ano, e envolve a atuação em todos os espaços políticos. O Bloco é uma necessidade histórica, pois configura a construção de um poder revolucionário, e que propicia a unidade para as diversas frentes de luta existentes e outras que ainda estão por se construir. O Bloco Histórico é a única alternativa para a vitória duradoura dos trabalhadores e do povo brasileiro, pois as lutas fragmentadas fatalmente serão derrotadas, por mais que conquistas pontuais existam (e devemos sempre contribuir para essas conquistas). A cada passo, os comunistas devem apontar o caminho que segue. Em 2014, deve-se nacionalmente construir debates para firmar e aprofundar essa concepção, envolvendo toda a militância da JCA, em conjunto com o MAS e o PCLCP, e apresentando-a a aliados, aos trabalhadores, ao movimento popular, aos explorados e oprimidos. Firmar a concepção é fundamental para o desenvolvimento ulterior da luta e deve estar casado com o desenvolvimento do movimento real, na incessante vinculação consciente entre teoria e prática em busca da revolução.

O ano de 2013 foi fundamental para nossa organização, pois realizamos o VII Encontro Nacional da JCA. Durante esse encontro histórico para nossa organização, definimos as diretrizes da JCA para os próximos dois anos, assim como debatemos e definimos avaliações políticas acerca da conjuntura, acerca dos desafios dos comunistas. A JCA tem crescido em seus espaços de atuação e tem estendido seu trabalho para outros estados, constituindo-se como alternativa de organização para os jovens. Somos fruto de um trabalho coletivo e conscientemente direcionado, atuamos com a preocupação de desenvolver o movimento de massas, com respeito às suas entidades e buscando constituir um bloco de forças que atue de forma contra hegemônica no interior da sociedade capitalista. Sabemos que o caminho é árduo, mas com paciência histórica e a direção política correta seremos vitoriosos.

Viva o socialismo!

Construir o Bloco proletário e popular!

Direção Nacional da JCA

Março de 2014

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Multimídia

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Watching: Saudação do PCLCP ao Congresso de Fundação da Central
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