Fala de abertura ao 7° Encontro Nacional da Juventude Comunista Avançando

 

Camaradas, amigos e convidados!

 

DSC09757 mEm nome da Direção Nacional da JCA gostaria de saudar a todos participantes deste Encontro, que vieram de até 3000 km de distância desse imenso país. Não há como esconder a alegria por essa realização, no ano em que a JCA completa 14 anos.

Tempo que é apenas um marco de nossa reorganização enquanto Juventude Comunista autônoma ligada ao Polo Comunista Luiz Carlos Prestes, mas que sabemos: está ligada a toda a tradição comunista brasileira e internacional. Está ligada sobretudo ao legado de Luiz Carlos Prestes, histórico dirigente comunista desse país que aos 80 anos liderava uma profunda autocrítica política e prática, de renovação e reafirmação do marxismo-leninismo e do socialismo como alternativa, momento em que muitos partidos comunistas entravam em profundo processo de degeneração. Ele afirmava a necessidade de construção de um Partido Comunista de novo tipo, efetivamente revolucionário, produto da inserção dos comunistas na luta das massas trabalhadoras, de onde sairiam as lideranças que, se aproximando da teoria do proletariado, levariam adiante a tarefa de construção desse instrumento fundamental para a revolução brasileira. Essa tarefa, hoje, assumimos de bom grado. A sua intervenção durante os anos 80 formou o embrião do que hoje é o Polo Comunista. Mas corre em nossas veias não só o sangue de Prestes, mas de Gregório Bezerra, Maria Aragão, Carlos Marighella, Olga Benário, Carlos Lamarca, Manoel Alves Ribeiro, Elisa Branco, Florestan Fernandes e tantos outros dos melhores filhos de nosso povo lutador.

 

A JCA assume esse legado, e leva adiante a tarefa de construção de uma Juventude Comunista como escola de quadros comunistas, inserida nas lutas e tomando como guia a ciência social-histórica do proletariado, portanto, numa profunda relação entre teoria e prática. Assim, esperamos que sejam os próximos 3 dias desse 7° Encontro Nacional: fechamento de um processo de preparação de mais de seis meses, que passou pela elaboração, estudo e debates nos núcleos de base de nossa organização. Processo extremamente produtivo, em que cada jovem aqui lançou mão de muitos momentos de reflexão sobre o rumo das lutas de classes no Brasil e no mundo. Nesse Encontro, faremos o balanço de 2 anos de luta e organização, e apontaremos caminhos para os anos que seguem.

 

Esse Encontro ocorre em momento de profundo mal-estar civilizatório. O capitalismo em tempos de crise estrutural apresenta contradições cada vez mais explosivas e destrutivas. Num tempo em que a irracionalidade do capital se combina com as mais devastadoras armas de destruição em massa, em que guerras são iniciadas sumariamente aos quatro cantos, não temos receio em afirmar que a continuidade do modo de produção capitalista está diante de seus limites históricos em que dois caminhos estão colocados: a crescente investida contra os povos como ameaça a toda humanidade ou o socialismo como alternativa consciente a ser perseguida pelos explorados e oprimidos nesta terra. O capitalismo só tem a oferecer mais guerras, miséria e sofrimento. O capital tem a acumulação como fim em si, e não importa se para isso é necessário retirar direitos, criminalizar movimento legítimos, relegar bilhões de seres humanos a uma espécie de apartheid social.

 

Mas também sabemos que os trabalhadores não se deixam massacrar sem lutar. E assim tem sido aos quatro cantos. Mobilizações têm ocorrido de forma espontânea, os povos se levantam para dizer basta a exploração e a opressão. Mas a espontaneidade não é suficiente para impor derrotas ao capitalismo. Também não é suficiente dizer que somos comunistas e que somos contra esse sistema. Primeiro, é importante identificar concretamente quais os pilares que sustentam esse modo de produção, especialmente no Brasil, onde se consolidou o capitalismo dependente do imperialismo como único modelo possível de acumulação capitalista. No Brasil, esses pilares se articulam num bloco de poder formado pelo imperialismo, monopólios e latifúndio. O imperialismo, fase superior do capitalismo, relega ao Brasil funções subalternas, mas também associadas, com uma burguesia com vitalidade suficiente para internalizar esta dominação em vinculação com o capital financeiro, mas consolidando sua dominação de classe sem realização das reformas democráticas, o que não impede, antes reforça o desenvolvimento do capitalismo brasileiro. Combatemos os monopólios nacionais e estrangeiros, como expressão mais concreta e desenvolvida do modo de produção, o que exige do proletariado a capacidade de construir a hegemonia junto aos setores populares antimonopolistas. E o latifúndio, que segue modernizando-se, porém conservando a estrutura agrária, mas profundamente articulado ao capital financeiro gerando o que tem se chamado de agronegócio, cumprindo função vital para o capitalismo dependente.

 

Assim, a estratégia de revolução brasileira só pode ser socialista. Mas para que ela se efetive, somente sua propaganda não é o suficiente. É necessário que os jovens comunistas estejam entre os trabalhadores, estudantes e setores populares, vivendo com eles suas angústias, seus dilemas e sofrimentos. Que os jovens comunistas sintam o pulsar e saibam interpretar corretamente o estado de ânimo das massas. Se inserir nas mobilizações, e a partir daí buscar guiar as experiências de luta concretas a patamares superiores de organização e consciência a partir de um programa mínimo, ligado-o ao programa máximo revolucionário, pois a revolução democrática não é uma etapa prévia, mas parte integrante da revolução socialista. Agir com perseverança, paciência e dedicação, saber corretamente quando as lutas dentro da ordem devem se tornar contra ela.

 

Os jovens brasileiros demonstram de modo crescente sua capacidade de luta. No entanto, trata-se ainda de uma rebeldia espontânea e desorganizada. As Jornadas de Junho deste ano, em que milhões de brasileiros foram às ruas, muitos jovens, demonstraram isso. Um conjunto de aspirações democráticas difusas e sem rumo certo, gestadas e alimentadas por anos de políticas antipopulares, implementadas pela sequência governos liderados pelo PSDB e PT. O apassivamento e a cooptação não poderia para sempre, e se reproduzir sem dificuldades. O Brasil que estava quieto de repente se movimentou, e muitos acharam que era um raio em céu azul. Um aumento dos valores de passagens do transporte urbano, elemento aparentemente casual, como diz o poeta “pode ser a gota d´água”, e transbordou a torrente de insatisfações. Os trabalhadores e o povo voltam a se colocar em marcha, e o desfecho desse momento ainda não é previsível. Ele está apenas começando. Entre a rebeldia e a revolução teremos um longo caminho a percorrer.

 

A JCA deverá, no tempo que se abre, redobrar seus esforços organizativos. Esse 7° Encontro Nacional é um momento desse processo. Não à toa tem como tema “Consolidar as bases da JCA nacionalmente e elevar o nível de consciência e organização dos jovens no enfrentamento à ofensiva do capital”. O momento exige. Avançamos na luta pela Universidade Popular, estratégia que levantamos há três décadas, e que nos últimos anos nacionalizou-se, com a presença de organizações aliadas, processo que precisa ser consolidado e massificado. Avançamos na elaboração sobre os Jovens Trabalhadores, que agora se apresenta como uma frente viável e necessária, e já surgem ideias criativas sobre formas de mobilização e luta. Avançamos no movimento estudantil secundarista, com presença em grêmios de escolas e estamos diante da possibilidade de consolidar essa atuação em conjunto com o trabalho no ensino técnico nacionalmente. Criamos novas bases da JCA onde antes não estávamos organizados.

 

Será também tarefa dos comunistas desenvolver de forma crescente o princípio do internacionalismo proletário. Princípio este que levou Ernesto Guevara a afirmar que devemos nos sentir angustiados quando alguém é assassinado em qualquer canto do mundo e entusiasmados quando em algum canto do mundo se levanta uma nova bandeira de liberdade. Com esse princípio é que ingressamos em 2011 como organização membro da Federação Mundial das Juventudes Democráticas, e agora preparamos uma delegação significativa para participar do Festival Mundial que se realizará em Dezembro deste ano em Quito, no Equador.

 

Camaradas, nos próximos anos para além da indignação que é crescente no povo brasileiro, há grande possibilidade de haver sérias complicações econômicas, com quebra da sequência de anos com relativa estabilidade, o que apenas agravará o quadro social e político. Nossa Juventude Comunista deverá se calibrar e se temperar ainda mais. Ganhar experiência, fortalecer os estudos, ampliar a inserção na sociedade, organizando mais e mais jovens, e prepará-los para as batalhas que virão! Dialogar com as demais organizações políticas de jovens pelo país com firmeza e respeito, com aguçado olhar político e programático, superar os velhos sectarismos ainda muito presentes na esquerda brasileira.

 

Nas próximas lutas que virão, especialmente no ano da Copa do Mundo, em que tudo é negado ao povo em benefício do capital, deveremos buscar estar à frente, nos adiantar em relação à conjuntura, tomar iniciativas, ganhar novos aliados e ampliar nossa capacidade de dialogar com os trabalhadores e a juventude. Não há o que temer, camaradas, pois a classe trabalhadora tem um mundo a ganhar! E nós, comunistas, marcharemos junto a ela até a conquista da sociedade sem classes, plena de liberdade e realizações humanas!

 

Dito isso, e após as colocações de todos os demais camaradas que me antecederam, declaramos aberto o 7° Encontro Nacional da Juventude Comunista Avançando!

 

Fonte: http://www.jcabrasil.org/2013/11/fala-de-abertura-ao-7-encontro-nacional.html?utm_source=BP_recent

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Watching: Entrevista com Luiz Carlos Prestes em 1985 na Tv Paraná
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