Encontro Nacional definirá os rumos da atuação da Juventude para os próximos 2 anos

Em processo de elaboração e debates, a JCA pretende aprofundar sua inserção entre os jovens e contribuir na luta por direitos sociais e por outra sociedade

 

 

Esse é o ano de realização do 7° Encontro Nacional da Juventude Comunista Avançando (ENJCA) e há alguns meses já se está em processo de elaboração de política, dos temas fundamentais para os debates. Ele será o momento de definição das principais linhas de atuação da Juventude para o próximo período.

A JCA é a Juventude do Polo Comunista Luiz Carlos Prestes (PCLCP). Uma Juventude que se alinha às posições estratégicas e concepções políticas do Polo, mas que possui autonomia nas instâncias e definição de sua prática política cotidiana. A autonomia é fundamental no desenvolvimento de sujeitos críticos e criativos, capazes de caminhar com suas próprias pernas e assumir a responsabilidade perante seus próprios atos. Daí a conhecida frase de Che Guevara “a juventude tem de criar. Uma Juventude que não cria é, realmente, uma anomalia”.

Esse Encontro Nacional se realizará em um momento fundamental da conjuntura do país. Os protestos de Junho demonstraram que há muito trabalho de organização para fazer. A grande maioria dos que foram para as ruas eram jovens, filhos de trabalhadores, estudantes, gente do povo, almejando mudanças democráticas. No entanto, espontaneísmo e desorganização reinou no movimento, e as pautas de reivindicação ficaram um tanto difusas.

É necessário dar corpo organizado e objetividade às manifestações que virão. E certamente elas virão. A luta social provém das próprias formas de opressão e exploração do sistema. E os jovens sempre foram uma camada da sociedade com participação fundamental em todos os grandes processos de transformação, em todas as grandes revoluções. Isso ocorre por ser uma camada social explosiva, a qual está colocada à condição de ser aquela que mais sofre com as mazelas do capitalismo. A juventude acaba não só sendo atingida pela mesma estrutura perversa de exploração do trabalho a nível mundial, como se torna a ponta de lança das movimentações do capital. Assim, se tomarmos os dados do IBGE, veremos que o desemprego entre os jovens é em geral 3 vezes maior do que entre os adultos. Entre os jovens de 18 a 24 anos nas regiões metropolitanas das grandes cidades a situação se agrava: a taxa de desocupação chega a 20,5% em SP, 32,2% em Recife, 32,1% em Salvador, 19,2% em Fortaleza, 24,7% no Distrito Federal (DIEESE 2010). O salário dos jovens no comércio corresponde em geral a menos de 70% daqueles auferidos pelos não jovens (25 anos ou mais), assim como a permanência no posto de trabalho também é inferior (DIEESE), o que expressa também a maior precarização do trabalho. Cerca de metade dos jovens no país entre 18 e 24 anos já não estudam mais (IBGE). Na questão da violência, nos homicídios, por exemplo, vemos que em 2008 enquanto entre os não jovens a taxa era de 20,5 entre cada 100 mil habitantes, entre os jovens ela subia para 52,9, taxa essa que só subiu nos últimos 30 anos (Secretaria de Juventude do Governo Federal). O número de suicídios também é maior entre os jovens (5,1 para cada 100 mil). São os jovens os que mais consomem medicamentos anti-depressivos. Ou seja, são aqueles que mais sofrem, que passam por grandes mudanças e crises. Mas sofrendo as contingências globais da vida sob o capital, são também os que massivamente ingressam na classe trabalhadora, a classe portadora de uma nova sociedade sem exploração. À maioria dos jovens está colocada a constante proletarização, seja ele estudante hoje ou não.

Essa é a raiz da grande revolta que faz do jovem um “rebelde”. E essa energia não está aí para ser reprimida, mas sim para ser canalizada contra a ordem que gera a sua própria opressão, ou seja, a luta contra o capitalismo e pelo socialismo. É na luta por uma nova ordem social que está a saída construtiva para essa revolta.

É vivendo no cotidiano dos jovens trabalhadores, estudantes secundaristas e universitários, dos movimentos populares das mais diversas matizes, que a JCA vem crescendo e se temperando nas lutas. Por isso, esse ENJCA carrega o sentido da necessidade de consolidação da organização em cada local, o que por sua vez está ligado à capacidade de aproximar e trazer novos jovens às suas fileiras, bem como intervir na dinâmica do movimento de massas de modo significativo, organizando os jovens na luta por seus direitos. A nacionalização do debate de universidade popular, formulação e atuação junto aos jovens trabalhadores, intervenção no movimento estudantil em várias universidades, em espaços nacionais do movimento secundarista, presença e solidariedade à luta dos trabalhadores de diversas categorias, são ações que fazem parte do processo de construção da Juventude Comunista.

A tradição de luta do povo brasileiro é muito grande. E a história dos revolucionários acompanha cada um desses momentos. Nossa organização está ligada a toda trajetória dos comunistas no Brasil. Somos fruto de um episódio emblemático desse processo, o rompimento de Luiz Carlos Prestes com o PCB em 1980, após ter sido secretário geral desse partido por 37 anos. Criam-se na época os “comitês em defesa do PCB ligados às posições revolucionárias de Luiz Carlos Prestes”, que já fora do Partido viram os “Comunistas que se alinham às posições revolucionárias de Luiz Carlos Prestes”, os quais, finalmente em 1990, organizam formalmente a Corrente Comunista Luiz Carlos Prestes (CCLCP) em seu primeiro Encontro Nacional. Em Abril, desse ano, a CCLCP passa a se chamar Polo Comunista Luiz Carlos Prestes (PCLCP) como expressão de avanços organizativos.  Eram na maioria jovens em 1980, que alimentavam a esperança na construção de uma nova organização revolucionária, revitalizando a teoria marxista-leninista, adequando-a à realidade brasileira e à estratégia socialista. Se a organização revolucionária é condição para a formulação da estratégia correta, também é fato que a readequação da estratégia – como feito por Prestes nos últimos anos de vida e militância – leva tempo até ser plenamente assimilada pela organização e mesmo pela esquerda, em toda a sua estrutura e dinâmica.

Enquanto coletivo de jovens organizados surgimos na década de 1980, no entanto, ainda como uma tendência estudantil e não como uma juventude marxista-leninista propriamente dita. É em 1999 que a JCA é criada a partir da deliberação da então CCLCP, a ela vinculada ideológica e programaticamente, com caráter de juventude comunista, autônoma, e escola de formação de quadros para a revolução brasileira. No marco do seu 7° Encontro Nacional, a JCA completa 14 anos de história e contribuição para a luta revolucionária.

A vitalidade da JCA se fortalece e desenvolve na práxis cotidiana, aliando a teoria revolucionária com a ação prática pelos interesses do povo brasileiro. A organização está em constante movimento, se renovando e superando seus desafios e limitações nutrindo-se da história de resistência construída pelos comunistas e da certeza da estratégia socialista como única alternativa viável à barbárie do sistema do capital.

No contexto de crise estrutural e de seu novo repique cíclico experimentado desde 2008 torna-se urgente o fortalecimento da organização dos jovens comunistas. O capitalismo tem dado mostras crescentes de senilidade, de velhice, se tornando progressivamente incapaz de se recuperar das crises cíclicas e passa a experimentar a situação de cada vez menor crescimento, tendendo a uma depressão continua e rastejante. Mas como sempre frisamos, ele não cairá por conta própria, é necessária a elevação do nível de consciência das massas e sua organização transformando a possibilidade de outro sistema social em algo efetivamente viável. A JCA tem dado passos importantes e fundamentais nessa construção, mas, como qualquer juventude, tem ainda muito que aprender para seguir sua tarefa com firmeza e vitalidade.

Direção Nacional da JCA

Setembro de 2013

 

Fonte: Voz Operária N 20

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Watching: Entrevista com Luiz Carlos Prestes em 1985 na Tv Paraná
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