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Nem um dedo ianque tocará a Venezuela! Ombro a ombro em solidariedade com a Revolução Bolivariana!

Imprensa PCLCP

A agressividade imperialista dos EUA se mostrou de forma muito mais explícita quando o presidente estadunidense Barack Obama anunciou, no dia 9 de março desse ano, que a Venezuela representava uma ameaça à segurança americana. Em suas palavras: “A Venezuela é uma ameaça extraordinária à segurança nacional e política exterior dos EUA”. Mas suas ameaças não ficaram limitadas ao escárnio verbal, Obama emitiu “ordens presidenciais” de novas sanções ao país que já vem sofrendo e resistindo à guerra econômica imposta pela oligarquia local associada ao imperialismo.

A dependência econômica da Venezuela, com baixo nível de industrialização, torna o país refém do petróleo, característica típica de países latino-americanos, cujo capitalismo se desenvolveu com caráter dependente. O ouro negro de nosso tempo é abundante no país, cerca de 200 anos de reservas, sendo a Venezuela um dos maiores exportadores de petróleo do mundo. Mesmo hoje a PDVSA (empresa estatal Venezuelana) estando completamente a serviço dos interesses nacionais e da Revolução Bolivariana, como processo em curso, e contribuindo para transformar significativamente o país, a economia venezuelana depende da importação de boa parte de tudo que é consumido. Nessa condição, dentro do largo espectro do que foram as tentativas golpistas recentes no país, a guerra econômica desencadeada pelas potências imperialistas, com a baixa do preço internacional do petróleo, vem cumprindo papel desestabilizador central.

A recente declaração de Obama remonta a velhas afirmações de Bush, às vésperas das invasões militares do Iraque e Afeganistão. Ideologicamente são idênticas: a ameaça a segurança nacional dos EUA e uma suposta violação de direitos humanos por parte do governo bolivariano. Falta agora os EUA inventarem o perigo do “programa nuclear Bolivariano” ou a necessidade de invadir para procurar supostas “armas biológicas”.

Os imperialistas ainda exigem a libertação de Leopoldo Lopez e Antonio Ledezma, o prefeito de Caracas recentemente detido por conspirações golpistas. Segundo a direita venezuelana, quando preso, Ledezma teria sido espancado e agredido pela Guarda Bolivariana. Mas inúmeros vídeos provam que na detenção de Ledezma, não só os “direitos humanos” foram respeitados, como o entreguista sequer foi algemado. A hipocrisia imperialista chega ao seu ápice, mesmo não havendo dúvidas de que é na Baía de Guantánamo e nos inúmeros porões da CIA que se encontram a maior concentração de violação dos direitos humanos.

Essa ofensiva estadunidense mais recente sobre a Venezuela ocorreu após o governo bolivariano descobrir um plano golpista, articulado por setores da oligarquia local e por opositores em Madrid e Miami. Estava se planejando um bombardeio na capital com um setor entreguista da aviação das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas – FANB. Entre os alvos estavam a emissora TeleSUR e o Palácio Miraflores. Contudo, esse plano foi descoberto e neutralizado pelo governo, justamente pela prisão de um de seus mentores, o prefeito de Caracas: Antonio Ledezma. A descoberta do plano ocorreu através do documento intitulado “Acordo de Transição”, no qual se acordavam entre os setores golpistas como se daria a partilha da nação, tanto dos poderes quanto das riquezas.

Não há dúvidas que se tratava de um “Acordo de Traição”. Nesta conjuntura de tensões permanentes (há quatro anos não há embaixadores de ambos os países), qualquer mudança no Governo da Venezuela representa uma interrupção ou retrocesso nas sucessivas reformas populares em curso no país.

Mas devemos ficar atentos: essa não é uma conjuntura que afeta, ou procura desestabilizar apenas a Venezuela. Está sendo preparada uma investida de larga escala por todo continente Latino Americano, e hoje os EUA têm condições plenas de justificar uma guerra prolongada para uma rapina profunda. A crise evidentemente exige ao capital uma dominação espoliadora mais aprofundada do que a dominação tradicional e estável do início do século XXI. E a situação atual da Ucrânia, tomada pelo neo-nazismo, imersa em guerra civil, não começou de uma hora para outra. A tragédia que se abateu sobre a Líbia com o assassinato mais cruel de Kadhafi também não foi provocada de forma repentina. Em verdade, do ponto de vista da totalidade da processualidade social, a natureza do capital é irracional e destrutiva. Porém, para se executar concretamente essa natureza são necessárias mentes planificadoras. Dessa forma, nenhuma derrubada contra-revolucionária é abrupta, mas sim milimetricamente pensada e preparada, sem hesitar no uso dos métodos mais sangrentos e desumanos possíveis para tal.

Da mesma maneira a intervenção na Venezuela e em toda a América Latina não começou agora e tem sido cada vez mais aprofundada: desde o terrorismo midiático que procura passar a ideia de um país falido e desestruturado até o assassinato de importantes quadros muito avançados ideologicamente como o caso de Robert Serra. As tentativas de acusar o Governo Bolivariano de “ditadura” parecem esquecer que a participação do cidadão venezuelano nas eleições, mesmo não sendo obrigado a votar, superam a casa dos 80%, enquanto que nos EUA essa cifra não chega à metade. A Rede Globo e os meios de comunicação no Brasil insistem em classificar a Venezuela como uma “ditadura chavista”, enquanto nos últimos 15 anos aconteceram 18 processos eleitorais(!).

Tenta-se de esconder a verdade de inúmeras vitórias da Revolução Bolivariana. Segundo a UNESCO, a Venezuela é hoje o 5º país em matrículas no ensino superior do mundo, e na América Latina ocupa posições do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) acima de potências como o Brasil, por exemplo.

As “guarímbas”, manifestações conclamadas pela direita venezuelana, que mobilizaram a parte conservadora do movimento estudantil (principalmente da UCV – universidade mais tradicional da Venezuela) para fazer barricadas, atacar prédios públicos e símbolos nacionais, motivados pela ideologia fascista dos “manos brancas”, caíram em descrédito depois da morte de 43 venezuelanos. No entanto, isso não impede a constante criação de distúrbios urbanos e de outras táticas frequentemente utilizadas: o recrutamento de mercenários, ações violentas por paramilitares colombianos, etc.

Desde 1998, passando por momentos de ápice como em 2002 (o golpe que instituiu um governo durou menos de uma semana), até essas recentes agressões, que inclusive têm sido cada vez mais frequentes, tudo demonstra que o imperialismo jamais permitirá que sequer uma única nação latino-americana desfrute de sua soberania e construa uma sociedade progressista em paz. Tais elementos nos inquietam enquanto comunistas e nos levam a crer que a Revolução Bolivariana vem alcançando seus limites no que tange aos avanços democráticos por dentro da ordem. Concordamos com a posição defendida pelo Partido Comunista da Venezuela (PCV) segundo a qual não há socialismo plenamente desenvolvido na Venezuela, mas sim fortalezas de consciência e organização nas massas que podem abrir o caminho para transformações profundamente revolucionárias. Uma ruptura deverá ser feita, chega-se cada vez mais próximo da necessidade de liquidar de uma vez por todas os redutos de poder desestabilizador da oligarquia nacional e dos monopólios capachos do império.

A Ditadura do Proletariado, como poder popular autônomo, e a democracia das massas deverá destruir o Estado burguês e erguer sob suas ruínas as bases de um novo tipo de poder, destinado no primeiro momento a combater a reação, tanto interna quanto externa. E, depois, aprofundar o caminho ao socialismo, expropriar o expropriadores, colocar a produção sob controle democrático dos trabalhadores e realizar todas as tarefas de desenvolvimento autônomo nacional renegadas pelas revoluções burguesas e pela independência interrompida. Para isso é necessário, nesse momento de crise e agressão, aperfeiçoar e fortalecer os mecanismos de poder popular, como os Conselhos Socialistas de Trabalhadores, os Conselhos Comunais, os Sindicatos, e todas as formas de organização popular, para criar um verdadeiro Bloco de poder anti-imperialista, unitário e patriótico.

Para liquidar o poder da burguesia o Governo Bolivariano está tomando medidas importantes, como a aprovação da Lei Anti-imperialista (Ley Habilitante Antiimperialista) que dá poderes especiais ao Presidente Maduro em caso de ameaças bélico-militares. A prisão de Ledezma e de todos os golpistas conspiradores descobertos também corrobora para neutralizar o poder burguês no país.

Diante de tais acontecimentos, nós do PCLCP acreditamos que é necessário que todos os democratas radicais, progressistas, revolucionários socialistas e comunistas, devemos engrossar as fileiras em unidade para a solidariedade internacionalista na defesa mais firme e incondicional da Revolução Bolivariana, da soberania e autodeterminação do povo venezuelano!

 

NEM UM DEDO IANQUE TOCARÁ A VENEZUELA!

OMBRO A OMBRO EM SOLIDARIEDADE COM A REVOLUÇÃO BOLIVARIANA!

VENEZUELA LIVRE RUMO AO SOCIALISMO!

 

Fonte: Voz Operário 21, Março de 2015. Link: http://cclcp.org/index.php/VOs