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Atividade em Porto Alegre mobilizou militantes e parlamentares em defesa do movimento pela paz na Colômbia

Por Mariane Souza de Quadros – Imprensa PCLCP

Alerta, alerta, alerta que camina, la espada de Bolívar por America Latina”! Com essas palavras de ordem entoadas pelos presentes, foi encerrado em Porto Alegre o evento preparatório ao II Fórum pela Paz da Colômbia. Na atividade, que ocorreu em 17/04, o militante da Marcha Patriótica Sergio Andrés Quintero Londoño falou sobre o II Fórum, o andamento nas negociações de paz e as ideias da Marcha Patriótica para a construção da paz com justiça social.

 

O evento preparatório ocorreu à noite, na Assembleia Legislativa do RS. Cerca de 50 militantes participaram. Começando com um histórico sobre o conflito na Colômbia, Quintero explicou sobre os seis pontos em pauta da mesa de negociação: terra e território; participação política, narcotráfico, vítimas, fim do conflito e referendação das negociações. Ele ressaltou o momento histórico que o país vive, pois novos setores estão participando das negociações, grupos que antes não eram convidados a participar - movimentos sociais e vítimas do conflito - ou que não estavam dispostos - generais das forças armadas.


Um milhão de colombianos marcham pela paz

Para Quintero, foi a pressão popular que possibilitou a abertura e a manutenção da mesa de negociação em Havana, Cuba. No dia 9/4, cerca de um milhão de pessoas participaram de atos em toda Colômbia, revindicando uma saída negociada para o conflito. “A Marcha Patriótica é o povo civil organizado”, afirmou o militante.

A respeito do Fórum, lembrou que a primeira edição, ocorrida em 2013 em Porto Alegre, conseguiu quebrar o preconceito de que o conflito era causado pelo narcotráfico e reconheceu seu caráter político. A questão da terra e da reforma agrária é o principal motivo dos conflitos no país.

 Na segunda edição, explicou que o objetivo é fortalecer a mobilização social e o apoio internacional às negociações entre a insurgência e o Governo Colombiano, como um processo indispensável para a construção da paz com justiça social.

Em todo o continente latino-americano, já são 115 organizações apoiando o movimento, das quais 40 do Brasil. O II Fórum ocorre de 5 a 7 de junho em Montevidéu, Uruguai.

Ao final da atividade, os militantes presentes saudaram o movimento amplo que se tornou a Marcha Patriótica, ressaltando que esse é um exemplo de unidade para os movimentos sociais e partidos de esquerda brasileiros. Todos foram unânimes em se comprometer para enviar uma delegação ao II Fórum, devido a relevância do caráter do evento.

Participaram militantes do A Marighella, Arma da Crítica, Fortalecer/PSOL, Intersindical, Movimento Avançando Sindical (MAS), Partido Comunista Brasileiro (PCB), Partido Comunista do Brasil (PC do B), Partido Comunista Revolucionário (PCR), Partido dos Trabalhadores (PT), Polo Comunista Luiz Carlos Prestes (PCLCP), Refundação Comunista (RC) e União da Juventude Comunista (UJC).

 

Visitas a parlamentares e coletiva

Durante o dia, Quintero esteve com parlamentares gaúchos para falar sobre o Fórum. Conversou com o deputado estadual Pedro Ruas, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), que manifestou apoio ao evento. Também foi recebido por Rodrigo Oliveira, presidente municipal do Partido dos Trabalhadores (PT) e por Francisco Geovani de Sousa, também do PT. Ambos se prontificaram a mobilizar parlamentares do partido para participarem do II Fórum.

Quintero também concedeu entrevista coletiva a alguns dos principais veículos do estado. Além de falar sobre o evento em Montevidéo, esclareceu alguns mitos sobre a insurgência, como a acusação de ser o principal narcotraficante do país, o que vem sendo desmentido durante a mesa de negociação. Falou ainda do grande número de presos políticos, que chegam a 9,5 mil.


Marcha Patriótica

A Marcha Patriótica é um movimento político e social colombiano de esquerda criado em 21 de abril de 2012, formado por partidos e mais de 1.700 organizações. O movimento defende a saída negociada para o conflito social, político e armado no território colombiano, a reparação das vítimas do conflito, a reforma agrária e a soberania popular como passos para alcançar a segunda e definitiva independência no país.

A mobilização tem suas origens na marcha ocorrida em 20 de julho de 2010, quando se comemorou o bicentenário do grito de independência colombiano. Na ocasião, mais de 80 mil manifestantes saíram sob forte chuva de diferentes pontos da capital Bogotá e marcharam pedindo paz, justiça social, educação, saúde, respeito ao meio ambiente e respeito aos direitos humanos.